


Rio Tejo - Lisboa
Minha história
Quando cheguei a Portugal, tudo parecia grande demais. O clima diferente, o silêncio das ruas, o jeito das pessoas falarem… eu ainda estava tentando entender onde me encaixava.
Em Loures, meus primeiros dias foram de observação: caminhava pelas ruas, reparava nos cafés, nos mercados, nas pessoas indo e vindo. Era como se eu estivesse estudando o terreno antes de dar o primeiro passo.
No meio dessa fase de adaptação, veio a primeira oportunidade. Um restaurante perto da casa onde eu estava me chamou para tocar.
Lembro da sensação: um misto de nervosismo e esperança.
Não era um grande palco, mas era o suficiente para eu sentir que talvez a música pudesse abrir caminhos ali também. E abriu.
Algum tempo depois, um amigo me levou para conhecer Odivelas.
Eu não sabia, mas aquele passeio mudaria tudo. Andamos pelas ruas, conversamos sobre a vida, e no meio disso ele me apresentou ao Café dos Bons Amigos.
O lugar tinha um clima acolhedor — mesas próximas, gente conversando alto, cheiro de café forte e, claro, pastéis e coxinhas fresquinhas, porque o dono, o Maurício, era brasileiro. Isso dava ao ambiente uma sensação de casa, mesmo estando longe dela.
O Maurício me ouviu tocar ali mesmo, num momento improvisado. Ele prestou atenção de verdade, como quem reconhece algo. No final, me chamou de lado e disse: “Queres tocar aqui às sextas?”Naquele instante, senti que uma porta tinha se aberto.
Com o tempo, não foi só a música que me acolheu. Fiz amigos brasileiros e portugueses que se tornaram família. Gente que me apoiou, que acreditou no meu som e que fez aqueles dias deixarem de ser solitários. O café virou ponto de encontro, palco, refúgio e lar.
As semanas passaram e, a cada apresentação, eu percebia que as pessoas me valorizavam. Elas ouviam, comentavam, pediam músicas, sorriam. O café começou a me chamar para tocar mais dias.
A música, que sempre foi meu ponto de partida, virou também meu ponto de chegada.
Foi assim que deixei Loures e me mudei para Odivelas. Não só por trabalho, mas porque senti que ali eu estava sendo visto, ouvido e respeitado.
A minha história em Portugal começou com passos tímidos, mas encontrou ritmo quando a música encontrou as pessoas certas.

Do Café dos Bons Amigos
para o mundo —
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