
Brasil, Europa — A Travessia da Minha Arte
A Ponte Que Leva o Meu Trabalho
Quero te convidar a conhecer a Cie Tartatruffe, a associação que conduz e fortalece o meu trabalho aqui na França.
É ela que abre caminhos: escolas, parcerias, projetos, vivências, encontros e tudo aquilo que faz a arte circular de verdade.
Sou artista independente na palavra — mas dependente, sim, do reconhecimento e das oportunidades que ainda vão chegar.
A CieTartatruffe é a ponte que transforma
o meu ofício em movimento,
que leva minhas marionetes,
minha música e minhas histórias
para onde elas precisam estar.
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A Ilha Que Despertou o Projeto





A minha história nasce no Brasil, cresce nas ruas, nos barcos, nas viagens, nas músicas que carregam cheiro de rio e de estrada. E se expande na Europa, onde encontrei novos caminhos, novas pessoas, novas oportunidades e uma nova forma de existir como artista.
Entre esses dois continentes existe uma ponte — feita de coragem, de trabalho, de encontros e de verdade. É nessa ponte que a Cie Tartatruffe entra: conduzindo, abrindo portas, levando meu trabalho para escolas, projetos, parcerias e vivências.
Sou artista independente, mas minha arte caminha porque existem mãos, olhares e instituições que acreditam no que faço. Brasil e Europa são os dois lados dessa travessia.


A Ilha da Madeira foi um dos lugares mais especiais da minha vida. Um paraíso sem igual — natureza por todos os lados, silêncio que cura, montanhas que abraçam, mar que inspira. Ali, a vida parecia respirar mais devagar, dando espaço para a criatividade florescer e para a mente encontrar equilíbrio.
Foi nesse cenário que nasceu a ideia deste projeto.
Eu tocava nas ruas com a minha companheira: eu, guitarra e voz; ela, dançando com a boneca que dava vida ao nosso pequeno espetáculo. Juntos, levávamos alegria para quem passava — turistas dos navios de cruzeiro, moradores locais, comerciantes que já conheciam o nosso ritmo. Sempre havia um sorriso, um comentário bonito, um reconhecimento sincero.
E então, um dia, o destino fez o que sabe fazer.
Uma brasileira que passeava pela rua ouviu a música. Ela parou, chamou o marido — francês — e veio ao nosso encontro. Conversamos, rimos, nos reconhecemos. E ali começou uma história que mudou tudo.
Daquele encontro nasceram novas amizades e uma parceria que atravessou fronteiras: Annel, minha parceira francesa, dançarina; Cilene, brasileira e artista do Yoga; eu, Júnior Natureza, brasileiro com alma de estrada; e Antoine, o amigo francês que se tornou parte essencial dessa travessia.
Antoine é guia turístico na Ilha da Madeira, apaixonado pela natureza e pela história da ilha. Ele tem uma casa nas montanhas, um refúgio onde hospeda viajantes que buscam silêncio, trilhas, paisagens e conexão com a natureza. Foi nesse ambiente — entre música, dança, montanhas e encontros improváveis — que a nossa amizade se fortaleceu e que o projeto começou a ganhar forma.
Foi assim — simples, inesperado e verdadeiro — que nasceu uma amizade forte e consistente, que permanece até hoje. E foi dessa união que a ponte para a Cie Tartatruffe começou a se formar.





Ariaga: onde a rua virava espetáculo
Tocar na rua Ariaga, no coração do Funchal, era como abrir um portal diário para um mundo onde tudo podia acontecer. Ali, naquele pedaço de calçada iluminado pelo sol da Madeira, eu descobri um dos melhores lugares da ilha para fazer arte acontecer de verdade.
Todos os dias, às dez da manhã, começava o ritual. Eu afinava o violão, respirava fundo e deixava a música correr. Duas horas de entrega total. Ao meu lado, Annel dançava com a Miranda, a marionete bailarina que parecia ter vida própria. Juntos, éramos uma pequena companhia ambulante: músico, dançarina e boneca — três almas a conquistar a rua.
O nosso percurso era simples: tocar, dançar, sorrir, fazer amigos. Mostrar a nossa arte para quem passava. E, no chapéu, além das contribuições, repousava um dragão de espuma que chamava a atenção das crianças como um ímã mágico. Era só ele aparecer que começavam as cenas mais bonitas: risos, espantos, pequenas danças improvisadas, olhos brilhando como se estivessem diante de um conto de fadas.
As crianças dançavam com a música, tentavam imitar a Miranda, conversavam com o dragão, e muitas vezes acabavam criando o próprio espetáculo ali mesmo, no meio da rua. E nós seguíamos, guiados por essa energia pura, esse encanto que só a infância sabe oferecer.
Com o tempo, ficamos conhecidos por toda a ilha. Todos os dias estávamos lá, no centro do Funchal, como uma exposição viva, pulsante, que misturava música, marionetes, fantasia e verdade. A rua Ariaga virou casa, palco e ponto de encontro. E cada manhã era um novo capítulo dessa história que só quem vive a rua entende.




