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Ouvir musica  

É na rua
que o sentimento acorda e a música
vira verdade.

Portugal é Rua Augusta, é Carmo, é Praça do Comércio, é Chiado, é Bairro Alto, é Vasco da Gama. É nesses lugares que o mundo inteiro se encontra em forma de som.

Ali vivem o fado português, a bossa nova brasileira, o blues americano e inglês, a música cigana, o manouche francês, os ritmos africanos, o flamenco espanhol — e todo o universo musical se mistura como se fosse uma só canção.

Portugal é esse cruzamento mágico onde culturas se abraçam e onde cada esquina guarda um ritmo, uma história, uma voz.

“Lightbox”

Viver é o que acontece agora — não são os planos.

Se um dia você me encontrar tocando por aí, não hesite em parar e me chamar. Vou ter um prazer enorme em lhe conhecer — ainda mais sabendo que você já visitou o meu site um dia. Só tenho a agradecer.

E, claro, vou tocar uma canção especial para esse momento. Vamos tirar uma foto de lembrança, que ficará postada no meu site como recordação desse encontro.

Aguardando você — para que a música transforme o instante em memória.

Estou nesse universo europeu, e o meu palco já não é mais só Portugal. Hoje caminho de um lado para o outro — o leque se abriu. O espaço que antes era concentrado se expandiu para a Galícia, Espanha, França, Inglaterra, Bruxelas, Luxemburgo, Guianas Francesas e Brasil. A música me levou. A estrada me chamou. E eu segui. Cada país virou um capítulo, cada cidade um palco, cada rua um encontro. A minha arte deixou de ter fronteiras — ela viaja comigo, atravessa mapas, sotaques e culturas. Onde eu chego, a música chega primeiro.

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Tem uma coisa muito interessante: todos os chapéus que uso na rua — esses mesmos que encantam tanta gente — sou eu quem faz. Tenho habilidades manuais e um pouco de conhecimento artesanal, e isso me permite transformar qualquer ideia em chapéu. Tudo o que imagino, eu consigo criar com as próprias mãos.

Muita gente me pede para fazer chapéus personalizados, e já fiz vários. Hoje, nas escolas, preparo os chapéus para as crianças pintarem, e o resultado é magnífico. Eles entram no mundo da fantasia, e isso agrada a todos — adultos e pequenos.

É esse chapéu, nascido das minhas mãos e da minha imaginação, que me acompanha quando estou nas ruas me apresentando. Ele não é só um acessório: é símbolo, é personagem, é marca, é magia. É parte de mim.

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De Chapéu na Europa - sua historia 

A magia se revela
quando o fazer vem da pureza do sentir.

Gosto de sair para tocar sempre de chapéu. É quase um ritual.

Dois motivos me acompanham: primeiro, porque faz parte de quem sou —

meu personagem de rua, meu jeito de me apresentar ao mundo.

Sempre estou de chapéu, de brincos, de colares coloridos ou diferentes.

E, claro, com a minha marionete que guarda o chapéu como se fosse

um pequeno guardião da cena.

No chão, estendo um tapete com palavras de gratidão

pela contribuição ou pela compra do meu CD suvenir.

Hoje em dia todo mundo ouve música nas plataformas digitais,

mas o que está no CD… esse não está nas plataformas e nem vai entrar.

O que coloco nas plataformas é outra configuração do meu trabalho.

O que toco na rua é mais livre, mais solto, mais meu.

Faço versões das músicas que gosto, brinco nos solos, faço minhas caretas de músico — aquelas que vêm da alma. E o chapéu… ah, o chapéu chama atenção de longe.

Muita gente gosta, muita gente pede para tirar foto usando ele ao meu lado.

Esses encontros são ouro. As conversas que surgem no intervalo, as histórias trocadas, as curiosidades sobre o artista…

tudo isso faz parte da música tanto quanto o som. O chapéu também me protege do sol.

Muitas vezes o lugar onde quero tocar não tem sombra nenhuma, mas eu toco ali mesmo, porque já conheço o ponto e sei que ali o público aparece. Esses momentos de rua… são os que mais gosto. Prefiro tocar na rua do que em muitos bares — depende do bar, claro. Quando o dono recebe bem, o tratamento muda tudo. A vida de artista é cheia de altos e baixos, mas aprendi que manter a calma muda o pensamento, e quando o pensamento muda, tudo muda junto. Não deixo nada me tirar da felicidade. Quando eu morava em Portugal, toquei muito tempo nas ruas. Foi maravilhoso. Fiz amigos, irmãos, parceiros de música.

Também vivi frustrações e histórias engraçadas. Teve dia de ser parado pela polícia e terem levado meu material, dizendo que eu era ambulante. Eu ri. “Não sou ambulante, seu moço. Sou músico. Estou cantando e alegrando as pessoas. As contribuições são à vontade. A rua é meu palco. ”Com o tempo, fiz amizade com vários policiais. Parecia até cena de Tom e Jerry. Duas da tarde, os músicos iam para o intervalo… e quem estava lá? A polícia. E no café, todo mundo rindo junto — músicos e policiais. Um deles me chamava pelo nome: “Natureza, muitas vezes eu mudo de caminho para não te pegar. Vejo teu chapéu de longe. ”E todos riam. Eu também. Virou uma família. Alguns diziam: “Natureza, gosto de te ouvir tocar e cantar, mas estou cumprindo ordens. ”E eu respondia: “Entendo.” E assim seguíamos, tocando o barco. Nunca deixei de tocar por causa da polícia. Nem em Portugal, nem na França, nem na Inglaterra, nem na Galícia. Minha música não tem fronteiras. Outro dia, conversando com um amigo, ele soltou: “Natureza… tu é o cara do chapéu na Europa. ”Eu ri e respondi: “Olha a música aí. ”Aproveitei a frase, comecei a lapidar a letra…e nasceu “De Chapéu na Europa”.Essa virou minha marca — uma marca que eu mesmo não sabia que tinha. Só percebi depois, quando entendi o que acontecia.

Ouvir musica  

Eu e meu amigo Oleg artista plástico 

Assinatura final

© Músico — Paraibano — Nordestino — Brasileiro — nacionalidade portuguesa — habitante da França

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