

O Boi de Lille —
Arte, Brincadeira e Encantamento
Atenção, senhoras e senhores!
Hoje este palco tem festa,
tem encanto e tem alegria.
Preparem o coração
porque vou lhes apresentar
um boi bonito, valente,
cheio de graça e magia.
Quem estiver sentado pode levantar,
quem já estiver de pé
pode bater palma sem parar.
Porque agora entra em cena
o boi que atravessou mares,
ruas e sonhos,
o boi que veio pra brilhar…
O BOI FILHO DE LILLE!








Eu e o boi na estrada,
caminho e destino de vida,
é cultura nordestina
atravessando além‑mar.
Tudo que trago comigo
não dá pra desamarrar.



É memória que tempera,
é lembrança que dá gosto,
é folclore, é poesia,
é raiz fincada no rosto.
É namoro à moda antiga,
com sorriso bem disposto.
Sou filho do meu Nordeste,
do café com leite quentinho,
do cuscuz com ovo fresco,
do queijo chiando no pinho.
Da mesa simples da roça
que nunca me deixou sozinho.


Ligando o rádio cedinho,
ouvindo forró e canção,
cantiga de amor e paixão,
cordel virando oração.
É como o canto mansinho
de um passarinho no ninho
que nunca perde a inspiração.



Esse boi eu fiz em Lille,
por isso, como diz o Nordeste,
é o boi “filho de Lille”.
Brinca com as crianças,
encanta os adultos,
faz graça por onde passar.
E quem puxar o rabo dele
corre o risco, na brincadeira,
de uma chifrada levar.
Quase ia me esquecendo
do galo a anunciar o dia,
do friozinho do amanhecer
que a alma até arrepia,
da galinha e dos pintinhos
bicando o chão com poesia.

E o sol nascendo vermelho,
pintando o céu devagar…
É o milagre cotidianoque
me ensinou a sonhar.
Tudo isso eu carrego
quando volto a caminhar.

Eita que esse boi
veio pra brilhar,
nasceu no Norte da França,
cresceu fazendo graça no ar.
Brincou nas ruas da cidade,
no teatro virou ator.
É um boi encantador,
filho de Lille, sim senhor,


🐂 A Origem do Boi no Brasil
A tradição do boi no Brasil nasceu no século XVIII, principalmente no Nordeste, em um tempo em que o gado era parte essencial da vida, do trabalho e da cultura. Foi nesse cenário que surgiram as primeiras histórias de um boi que morria e depois ressuscitava
Narrativa que mais tarde se transformaria no Bumba Meu Boi, Boi-Bumbá, Boi de Reis, Boi de Mamão e tantas outras variações espalhadas pelo país.
A brincadeira mistura três raízes culturais:
Portuguesa, com os antigos autos populares e histórias de bois encantados.
Africana, com música, ritmo, dança e teatralidade.
Indígena, com elementos de celebração, espiritualidade e relação com a natureza.
Com o tempo, cada região criou seu próprio estilo:
No Maranhão, o Bumba Meu Boi ganhou força, música e devoção.
No Amazonas, nasceu o Boi-Bumbá de Parintins.
Na Paraíba, o Boi de Reis se tornou tradição natalina.
Em Santa Catarina, surgiu o Boi de Mamão.
O boi brasileiro é, portanto, uma manifestação de mistura, resistência e alegria, que atravessou séculos e continua viva até hoje.

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