

Mestre inesquecível — Cervilho de Holanda. Nesta foto, lembro a época em que atuei sob sua direção maravilhosa. Ele me fortaleceu em tudo: fez eu descobrir em mim capacidades de criação que até então eu não sabia que existiam. Foi com ele que minha música entrou no teatro de forma marcante, na peça A Faca. Essa peça, vivida por mim e por amigos atores, nunca foi esquecida — foi sucesso em várias apresentações. Hoje, A Faca continua viva, sob a direção do amigo Joacy Alves, na Paraíba, em João Pessoa.

Meu primeiro contato com o teatro
Desde criança, minha vida sempre foi atuar
Com o olhar da naturalidade espontânea,
sem pensar muito, apenas deixando a realidade
se transformar diante de mim.
O teatro, nos meus primeiros passos, deixou lembranças de amor que carrego para sempre. Momentos inesquecíveis, amigos verdadeiros e um profundo conhecimento do meu próprio ser. Aprendi a ver o mundo com um olhar que mudou tudo dentro de mim — a forma como percebo a arte, os sentimentos e a música.

Ator — este é um assunto mais profundo.
Saio do primeiro contato com o teatro da vida para entrar no teatro dos palcos, em todas as suas vertentes: da rua ao teatro italiano, do palco frontal ao teatro de arena. É um novo passo, mas a mesma alma que sempre atuou com naturalidade e verdade.

Mestres como Servilho de Holanda, Everaldo Pontes, Edilson Alves, Mônica Macedo e Horieby, foram fundamentais na minha construção como ator. Minha base nasceu nos cursos realizados no Teatro Piollin, no Teatro Santa Rosa e no Teatro Cilaio Ribeiro. Foi nesses espaços que aprendi disciplina, liberdade, técnica e poesia. Essa é a raiz do meu caminho — e dela nasce o novo Júnior Natureza.
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Teatro Piollin

A Extensão Cultural da UFPB foi um novo portal na minha formação.
Foi ali, naquele teatro vivo, que eu aprofundei conhecimentos que já carregava dos meus primeiros mestres
descobri outros caminhos, outras técnicas, outras verdades do corpo e da cena. Sob a orientação de mestres como Edilson Alves, Mônica Macedo e Everaldo Pontes, a construção do ator continuou. E continua até hoje. Porque o teatro é uma estrada que nunca termina — ele apenas se renova dentro de mim.
Teatro Lima Penante

Antes do teatro - Grupo Escolar Thomas Mindello
O primeiro grupo escolar da Cidade de João Pessoa, criado em 1916
Antiga fábrica de rapadura do Engenho Paul (1858), sede do Piollin
O Teatro Cilaio Ribeiro foi inaugurado em dezembro de 1987
Teatro Cilaio Ribeiro
A antiga fábrica de rapadura do Engenho Paul, sede do Piollin, foi o lugar que marcou o início da minha vida teatral. Ali, naquele espaço de madeira, tijolo e memória, encontrei amigos que carrego até hoje e descobri um teatro que transformava cada pessoa que entrava.
No Piollin, a construção do ator não era teoria — era vivência. A gente experimentava, errava, criava, se entregava. Cada exercício era uma porta aberta para dentro de nós mesmos. Ali nasceu a nossa primeira peça: A Faca, dirigida por Servilho de Holanda — o mestre que mudou minha vida, o melhor que já tive.
Nós nos entregamos completamente. Não havia meio termo. Vivíamos a história como se fosse nossa, porque era. Fizemos laboratórios de sensação à noite, buscando o real, o profundo, o que dói e o que ilumina. As cenas eram vivas, pulsantes — não havia “faz de conta”. Era verdade. Era entrega. Era vida acontecendo diante dos nossos olhos.
No Piollin, aprendi que o teatro não é representação: é transformação. E tudo o que vivi ali continua ecoando em mim até hoje.

Entre o Teatro e o cinema, um grande inspirador da arte. quem teve a oportunidade de estudar com esse grande mestre guardara para sempre o seu ensinamento

O Teatro Cilaio Ribeiro também carrega muitas histórias da minha formação.
Foi ali que o mestre Horieby Ribeiro, entrou com sua força teatral, ampliando tudo aquilo que eu havia aprendido no Teatro Piollin.
No Cilaio, trabalhamos novas formas de atuação, uma visão mais ousada, que nos fazia nos lançar sem receios.
Aprendi a desbloquear o medo e a vergonha — dois guardiões que tentam impedir o ator de mostrar o seu melhor.
A inibição não desaparece: ela muda de lugar.
Ela passa a ser administrada, transformada em ferramenta.
Porque nada deve ser descartado — tudo pode ser usado pelo ator quando necessário:
do riso ao choro, do amável ao rude, da paz à violência, do verdadeiro ao enganador.
Essas forças emocionais sempre encontram espaço na cena, desde que usadas com verdade e fidelidade.
Foi participando de vários cursos nesses teatros que fui fortalecendo meu lado criativo e minha postura diante da vida.
O medo mete medo — e deve ser olhado com respeito, não com desprezo.
O medo é a mente entrando em desordem, mas quando entendemos o que está acontecendo, ele muda de lugar.
E é aí que aprendemos a transformar o medo em algo útil, e não em algo que nos diminui.
Ali, descobri novas formas de atuação e fortaleci meu caminho como ator.





