


Tribo da Lata
Os primeiros tambores — lata, couro e invenção
A origem dos tambores, a trajetória
Tudo começou há muitos anos, na pequena cidade de Olho D’Água de Capim, interior da Paraíba. Ali, no calor da terra vermelha e no ritmo do vento do agreste, nasceu o primeiro sopro do que viria a ser a pesquisa com tambores reciclados.
Foi um projeto incentivado pela Secretaria de Cultura, com apoio direto do prefeito da época. E foi nesse terreno fértil que surgiu a Tribo da Lata — um espaço de iniciação musical para crianças e adolescentes, onde tocar não era obrigação: era descoberta, era brincadeira, era pertencimento.
Os tambores eram feitos de latas de transportar carbureto, reaproveitadas com a inteligência prática do Nordeste. O couro? De bode, claro — material abundante, resistente, tradicional, carregado de cultura.
Esses instrumentos não eram só objetos: eram pontes. Pontes entre o lixo e a arte, entre o cotidiano e o sagrado, entre a infância e a música.
Quatro anos de Tribo da Lata —
pesquisa, alegria e comunidade
A Tribo da Lata durou quatro anos, e nesse tempo:
-
tocava vários ritmos, do coco ao maracatu, do samba ao improviso intuitivo
-
funcionava como um laboratório vivo de pesquisa musical
-
transformava cada ensaio em espetáculo espontâneo, com moradores indo assistir
-
criava um ambiente onde aprender era brincar, e brincar era aprender
Era música comunitária na sua forma mais pura.

Da Paraíba para Lille — o tambor que atravessa o oceano
Hoje, vivendo em Lille, na França, a pesquisa continua — e se reinventa.
Os tambores agora nascem de latões de óleo descartados nas ruas. consigo resgatá-los e transforma-los para uso musical, E eles já fizeram dois carnavais nas escolas francesas, levando o som, o ritmo dos tambores reciclados, para crianças que talvez nunca tenham visto um couro de bode, mas que reconhecem imediatamente a força do ritmo.
É o mesmo espírito da Tribo da Lata, mas agora em outro continente: arte reciclada, comunitária, intuitiva e educativa

