Sob o Cajueiro
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Um homem
sentado embaixo de um cajueiro não precisa de mais nada além do instante. O vento passa devagar, o sol desenha sombras no chão, e ele entende que a vida, ali, não tem futuro nem passado — só o agora que pulsa.
Por que não viver intensamente esse momento? Se o presente é o único lugar onde a vida acontece, por que correr atrás do que ainda não existe? Ali, sob o cajueiro, o tempo deixa de ser ameaça e vira companhia.
Mas os dias não são iguais. No outro dia tudo muda. Às vezes estamos subindo a montanha, outras vezes descendo. E é verdade o ditado: pra descer, todo santo ajuda. Porque o topo é o céu que muitos sonham, mas poucos entendem o peso de chegar lá.
Eu canto, escrevo, componho, amo, trabalho porque isso me mantém vivo. Sem isso, eu seria como uma flor no deserto, tentando sobreviver sem água. Ser forte não é nunca cair — é ter calma no momento em que tudo pede desespero. É respirar fundo quando o mundo aperta. É confiar que a montanha, seja subida ou descida, sempre leva a algum lugar.

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