A PORTA
- 11 de jun.
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A porta é desconhecida, mas está ali, imóvel, diante de mim.
Não há escolha entre entrar ou não — só existe a travessia.
Mesmo assim, algo em mim hesita.
Fico parado, observando a maçaneta como quem encara um animal selvagem.
O medo me segura pelos tornozelos, o pensamento me bloqueia, e esse vazio que me rodeia não tem nome.
Estou aqui, diante dela, imaginando o que pode existir do outro lado.
Pode ser liberdade. Pode ser felicidade. Pode ser o fim de algo que amo.
Pode ser o início de algo que ainda não sei sustentar.
E eu, preso ao chão como uma árvore antiga, balanço com o vento das incertezas.
Essa porta chegou sem aviso. Simplesmente apareceu no meu caminho, e agora exige que eu a abra.
Não há fuga possível. É como um jogo de sorte em que a única jogada é seguir adiante.
Talvez eu esteja apegado ao que vivi, ou ao que vivo agora.
Talvez eu esteja tentando segurar paredes que já não me pertencem.
Mas a vida tem dessas coisas: algumas portas não pedem permissão — elas se impõem.
E pensando bem, essa nem é a porta definitiva. Haverá outras. Sempre há.
Esta é apenas uma porta de mudança, um ponto de virada,
um momento em que deixo para trás a estrutura antiga para entrar numa nova construção — ainda desconhecida.
Pode ser o final de uma história. Pode ser o início de outra, mais próspera.
É um risco que não posso controlar.
Talvez seja isso que chamam de destino:
o instante em que você atravessa o desconhecido porque não há mais como permanecer onde está.
Então eu respiro. Reúno minhas armas — poucas, mas essenciais.
A principal delas é a coragem. Coragem não é ausência de medo; é a decisão de continuar apesar dele.
É acreditar que somos capazes de nos tornar aquilo que pensamos.
Estou diante da porta. Estou prestes a abrir. Me mantenho alerta, firme, presente.
Não estou aqui para desistir. Estou aqui para atravessar.
Essa é a porta. E eu estou indo até ela. Sem medo agora. É pra valer.

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