Manifesto pela Arte de Rua e pelos Artesãos do Brasil
A perseguição aos artistas de rua não é de hoje. Ela acompanha toda a nossa história.
Desde os trovadores que cruzavam a Europa levando poesia, até os músicos, brincantes e viajantes que hoje atravessam cidades com seus instrumentos, a arte de rua sempre foi ponte, encontro, respiro.
Mas não são só os artistas de rua. Os artesãos do Brasil — do barro, da palha, da madeira, do couro, do tecido, da fibra, da cerâmica, da renda, da marionete, do boneco, do bordado — também carregam essa tradição antiga.
Eles são guardiões de saberes que não cabem em livros. São herdeiros de povos que criam cultura com as mãos. São memória viva do país.
E, assim como os artistas de rua, eles também enfrentam perseguição, desconfiança, burocracia e invisibilidade. Também são tratados como problema quando, na verdade, são patrimônio.
Por isso digo:

Vamos deixar nossos artistas e artesãos desenvolverem sua atividade. Vamos parar de sufocar quem cria. Vamos parar de regular até matar a espontaneidade. Vamos parar de expulsar quem dá vida às cidades.
A arte de rua e o artesanato brasileiro são irmãos. Ambos nascem do povo. Ambos pertencem ao povo. Ambos são resistência.
Eu sei o que digo. Eu estou desse lado da moeda. Eu vivo essa realidade. E sei que uma cidade só é viva quando a arte respira nela — seja no som de um tambor, seja no brilho de uma peça feita à mão.

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