Entre Cabedelo e a Sanfona Perdida
Atualizado: 15 de mai.

Na minha jornada musical, carrego lembranças que moldaram quem sou. Uma delas vem da minha infância, quando eu morava com minha avó, Maria de Queiroz Marinho — conhecida por todos como Mimosa. Uma mulher trabalhadora, funcionária dos Correios e Telégrafos na cidade de Cabedelo, na Paraíba. Foi ali, na casa dela, que meus primeiros sons começaram a nascer.
Na sala havia um instrumento com teclas: uma sanfona. Até hoje não sei como ela foi parar ali, já que não havia sanfoneiros na família. Mas, de alguma forma, aquele instrumento me escolheu. Eu gostava de ouvir seus sons, de sentir a vibração das teclas, como se ela conversasse comigo. A sanfona foi minha primeira companheira musical.
Mas esse encontro durou pouco. Minha avó estava fazendo uma obra na casa, e um dos trabalhadores viu a sanfona. Ele se encantou e fez uma proposta: faria o serviço em troca do instrumento. Para mim, foi triste. Para ela, foi uma decisão prática. E a resposta dela foi “sim”. O trabalhador ficou feliz, e eu me despedi da sanfona para sempre.
Aquele momento marcou minha vida. A sanfona se foi, mas a música ficou. E outras histórias vieram depois, por outros caminhos, outros instrumentos, outras descobertas.
Prometo contar mais no próximo post.

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